quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Documento/Monumento LE GOFF - História - Resenha

A memória coletiva e a sua forma cientifica, a história, aplicam-se a dois tipos de materiais: os documentos e os monumentos.
De fato, o que sobrevive não é o conjunto daquilo que existiu no passado, mas uma escolha efetuada quer pelas forças que operam no desenvolvimento temporal do mundo e da humanidade, quer pelos que se dedicam à ciência do passado e do tempo que passa, os historiadores.
Estes materiais da memória podem apresenta-se sob duas formas principais: os monumentos , herança do passado, e os documentos, escolha do historiador.
O monumento tem como caracteristicas o ligar-se ao poder de perpetuação, voluntária, das sociedades historicas ( é um legado à memória coletiva) e o reenviar a testemunhos que só numa parcela mínima são testemunhos escritos.
O termo latino documentum, derivado de docere, "ensinar", evoluiu para o significado de "prova".
Com a escola positivista, o documento triunfa. A partir de então, todo o historiador recordará que é indispensável o recurso do documento.
Não há história sem documento.
Onde faltam os documentos escritos, deve a história demandar às linguas mortas os seus segredos [...]. Deve escrutar as fábulas, os mitos, os sonhos da imaginação[...]. Onde o homem passou, onde deixou qualquer marca da sua vida e da sua inteligência, ai está a história.
"Não há história sem documentos", com esta precisão: " Há que tomar a palavra "documento" no sentido mais amplo, documento escrito, ilustrado,transmitido pelo som, a imagem, ou de qualquer outra maneira".
A intervenção do computador comporta uma nova periodozação na memória histórica.
A revolução documental tende também a promover uma nova unidade de informação: em lugar do fato que conduz ao acontecimento e a uma história linear, a uma memória progressiva, ela privilegia o dado, que leva à série e a uma história descontínua.
O dever principal do historiador é a crítica do documento - qualquer que seja ele - enquanto monumento.O documento não é qualquer coisa que fica por conta do passado, é um produto da sociedade que o frabricou segundo as relações de forças que ai detinham o poder. Só a análise do documento monumento permite à memória coletiva recuperá-lo e o historiador usá-lo cientificamente, isto é, com conhecimento de causa.

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